Sustentabilidade

A indústria de produtos óleoquímicos tem mais de um século e estava perdendo prestígio frente aos avanços da indústria petroquímica, face à economia de escala e preços relativamente baixos dos derivados de óleo, pelo menos até o final da déada de 1970. Com o crescimento da preocupação sobre a preservação do meio ambiente e a busca por sustentabilidade em termo de matérias-primas e processos, os óleoquímicos são exigidos por alguns setores do mercado em produtos de consumo e assim começam a disputar espaço em algumas aplicações industriais. Nesse contexto, os óleoquímicos abrangem os vários processos de transformação de produtos vegetais e/ou animais em biocombustíveis de alto valor agregado alternativos a óleo diesel de gorduras. Esses materiais são renováveis, biodegradáveis e suas fontes são diversos substratos de baixo custo, em geral ésteres, cujas aplicações dependem da família do óleo: láurico, oléico, ricinoleica, poliinsaturado, dentre outros.

O Brasil tem um dos maiores inventários de biodiversidade. Seus recursos naturais são gradualmente descobertos conforme a intensificação da pesquisa científica intensificada e os resultados são apresentados e disponibilizados à sociedade. Portanto, o Brasil possui um dos maiores bancos de germoplasma in situ, o que é notado por aqueles que ocupam diferentes biomas em alta demanda por conhecimento ou uso sustentável da biodiversidade. A falta de domesticação de recursos naturais, como plantas aromáticas e medicinais e detentores de metabólitos secundários com propriedades biodefensivas, levou à subutilização e extinção de inúmeras espécies, impondo limitações socioeconômicas e ambientais. Além disso, a produção agrícola de alimentos saudáveis foi confrontada com sérios problemas de contaminação por toxinas e a dependência do uso de pesticidas. Nesse contexto, o termo fitoquímica abrange pesquisa e estudo de componentes químicos de plantas utilizados como princípios ativos, temperos, corantes e moléculas de parede celular. Aplicações desses produtos podem se estender a áreas diversas como médica, farmacêutica, cosmética e higiene alimentar.

A expectativa de diminuição das reservas de petróleo e a elevação dos custos para extração, aliados à preocupação crescente com soluções em tecnologias de preservação ambiental, tem demandado as necessidades de consumo imediato. Esse passo na direção oposta à exploração de fontes fósseis de matérias-primas quebra um paradigma global, mantido por décadas, que foi a base do desenvolvimento de toda a cadeia industrial.

É notório que as fontes fósseis de matérias-primas estão presentes em todos os níveis da cadeia de suprimentos, desde sua operação, em primeiro lugar para fins energéticos, e foram a base para o desenvolvimento da sociedade industrial. Portanto, o comportamento da economia se tornou extremamente sensível a qualquer alteração em relação à sua qualidade, preço ou demanda.

Aumentos significativos nos preços do petróleo permitiram o uso de algumas fontes alternativas que antes não eram economicamente competitivas. Vale destacar que a bioenergia global está triunfando devido aos altos preços recentemente atingidos pelo barril de petróleo. O sucesso da implantação de etanol na matriz energética do Brasil tem sido um exemplo para o desenvolvimento de novas políticas de energia. 

O assunto “óleoquímicos” é composto por processos de transformação de óleos vegetais e gorduras animais em produtos com alto valor agregado. Também inclui os novos processos que são objetos de pesquisa e desenvolvimento de projetos, D&I em consequência do uso de matérias-primas oleaginosas como fontes de biodiesel. Essas matérias-primas são essencialmente ES metil e ésteres etílicos de ácidos graxos utilizados como substitutos de combustível empregado em motores a diesel. Vários países já incluem esses derivados em suas matrizes energéticas. 

Os principais óleoquímicos são derivados de ácidos graxos, compostos nitrogenados graxos, álcool gorduroso e glicerol, como mostrado na figura abaixo. O glicerol, principal co-produto da transesterificação utilizado na produção de biodiesel e fabricado em larga escala, recebeu atenção especial.

Óleos vegetais e gorduras animais encontradas na natureza são compostas de triacilgliceróis ácidos de ácidos graxos saturados a insaturados e glicerol. Eles têm a formula geral: ROOCCH²-CH (OOCR') - CH²OOCR", onde R, R' e R" são grupos alquil ou alcenilo. Geralmente há mais de um ácido graxo triglicerídeo presente e considerado misto. Os principais ácidos graxos encontrados em óleos vegetais e gorduras animais estão indicados na Tabela abaixo.